Nadyenka Castro A ausência de dois plantonistas pediatras deixou o clima tenso durante todo o domingo no Hospital de Urgência e Trauma em Dourados, cidade que fica a 221 quilômetros de Campo Grande. A maioria de quem esperava por atendimento estava sem se alimentar. Pais e mães de crianças doentes chegaram a fechar a entrada do nosocômio com bancos e cadeiras. Elizangela Cristina de Oliveira, 23 anos, estava revoltada. Desde às 6h, ela lutava para conseguir atendimento médico ao filho de um ano. Moradora no bairro Estrela Verá, a mulher estava sem condições de voltar para a casa em busca de alimentos e fraldas para o bebê. O jeito foi esperar. “A saúde está um caos. Desde cedo as crianças estão passando mal e nenhuma providência é tomada. Meu filho está com diarréia e sofrendo muito e nem previsão de atendimento existe. Ninguém explica nada. È um absurdo”, desabafa. Luciano de Oliveira Ribeiro, morador na Vila Esperança conta que tentou socorro nos outros hospitais, mais sem sucesso. “Fui duas vezes no PAM, mas lá eles não atendem crianças com idades abaixo de 13 anos”, informa. Com o filho no colo apresentando sintomas de dengue, sentado na grama em frente ao hospital, Lucianao contou ainda mais que mais de 40 mães desistiram e voltaram para a casa. “Uma cena muito triste. No centro da cidade só o que se via eram pais com os filhos doentes carregando na garupa da bicicleta depois de uma frustrada tentativa de serem consultadas”, descreve. A dona-de-casa Maria Aparecida Rodrigues, de 48 anos, estava desde às 9h da manhã em frente ao Hospital de Urgência e Trauma. Com os netos de quatro e outro de oito anos, ela entrou em desespero ao ver que eles estavam com febre alta. “Nem triagem com enfermeiras eles estão fazendo. Se for caso de urgência, as crianças estão sujeitas a morrer sem atendimento”, alerta. Hospital De acordo com o diretor de Enfermagem do Hospital, Rodrigo Teixeira, o médico que trabalharia pela pela manhã, teria sofrido um acidente automobilístico enquanto o responsável pelos trabalhos no período da tarde, não estava em condições de atender porque a mãe havia falecido. “Estas duas fatalidades nos pegaram de surpresa. Desde cedo iniciamos uma busca por todos os médicos da cidade, mas alguns estavam viajando e a maioria não foi localizada por que o telefone estava desligado”, argumenta. Prefeitura A assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde informou ao jornal O Progresso que foram acionados dois médicos, sendo um clínico geral e o outro o vereador e médico Eduardo Marcondes. Os dois foram os únicos disponíveis na lista de médicos do município. (Com informações do jornal O Progresso) (fonte: jornal Campo Grande News – 25.05.2008)

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