Neiba Ota A direção da Santa Casa nunciou ontem ao Ministério Público Estadual (MPE) a situação de dois pacientes encaminhados como Vaga Zero, de Dourados, Antônio Santuci de Oliveira, de 38 anos, que foi a óbito, e uma criança, de 6 anos, internada em estado gravíssimo, vítimas do descaso da saúde pública no interior do Estado. O relatório encaminhado ao MPE, de acordo com diretor da Junta Interventora Administrativa, Rubens Trombini, é um alerta de que Dourados continua enviando pessoas para Vaga Zero e mantém médicos sem credenciamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Aquela situação de pacientes gravíssimos, tendo ou não leito, que gerou discussão de superlotação na Santa Casa. O que eu chamo a atenção é que independente desta questão, é o fato de Dourados não dispor de neurologista e neurocirurgião, especialidades indispensáveis para uma cidade com quase 200 mil habitantes e que possui hospital de trauma; situações de traumas, não aceitam que sejam esperados duas a três horas. Entendemos que Dourados continua sem credenciamento para neurocirurgia e neurologia. Porém, tem situações que meia hora faz diferença”, explicou. No relatório, segundo a assessoria do estabelecimento hospitalar, a Santa Casa pede providências às autoridades para evitar que pacientes sejam submetidos ao “transporte desumano” pelas estradas de Mato Grosso do Sul, considerando que a viagem pode agravar o estado de saúde do paciente. A instituição ainda denunciou que, de acordo com informações locais, “Dourados dispõe de neurologistas e neurocirurgiões que não são credenciados pelo SUS”. Assim, de acordo com a assessoria da Santa Casa, “essa situação contribui para superlotar os prontos-socorros dos hospitais de Campo Grande, que já atendem a grande demanda de pacientes da própria Capital e também do interior do Estado. O resultado é a queda na qualidade de atendimento que as instituições hospitalares podem oferecer aos pacientes”. Casos Segundo a assessoria da Santa Casa, Antônio Santuci de Oliveira teria sido vítima de espancamento na noite do último domingo, em Rio Brilhante, foi encaminhado de Dourados para a Capital por falta de neurocirurgião credenciado pelo SUS e, ontem, não resistiu aos ferimentos. O estado da criança, de acordo com a assessoria, é gravíssimo. O diretor técnico da junta, Rubens Trombini, comentou que ela estava sem capacete, numa moto, em Ponta Porã, e foi vitima de acidente de trânsito. Ela foi encaminhada a Dourados e, em seguida, a Campo Grande. “A criança teve traumatismo craniano”, comentou. Segundo a assessoria de comunicação do Ministério Público Estadual (MPE), a promotora Sara Francisco recebeu ontem um relatório da Santa Casa e também do Conselho Regional de Medicina (CRM) sobre a superlotação nos hospitais. De acordo com a assessoria, a promotora ainda aguarda informações do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e da Central de Regulação, para se pronunciar sobre o assunto; as conclusões deverão acontecer a partir de amanhã. (fonte: jornal Correio do Estado – 29.07.2008)

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