Lucia Morel O caos no sistema de saúde pública de Campo Grande não está presente apenas na falta de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas também na estrutura precária dos hospitais. Cada leito de UTI e também de emergência deve estar equipado com instalação de rede de oxigênio para os pacientes que necessitarem de respiração artificial para se manterem vivos. O problema é que a lotação nesses leitos é tão grande, que muitos doentes ficam nas salas de emergência em vagas que não contam com essa instalação. Nesses casos, a respiração é mantida pela ação do ambu, um respirador manuseado pelos enfermeiros. ”Muitas vezes, já precisamos usar a ventilação manual para manter a respiração dos pacientes e quando se precisa fazer isso por muitas horas, porque não há abertura de vagas nos leitos equipados, os enfermeiros se revezam na ventilação do paciente”, conta o diretor-clínico da Santa Casa, Carlos Barbosa. A ventilação manual consiste em utilizar o ambu, equipamento que se parece com uma cuia de plástico, para forçar a respiração. O aparelho é totalmente manual e não muito fácil de ser utilizado. “O material é de plástico, mas o esforço de apertar e soltar é pesado, porque exige força”, afirma o médico e coordenador do Serviço Móvel de Urgência (Samu), Eduardo Cury. A Santa Casa conta com cerca de uma centena de respiradores, além dos ambus, mas conforme Barbosa, a lotação dos leitos de emergência está sempre acima da capacidade, portanto, a utilização de ventilação manual é constante. “Temos seis vagas na emergência, mas sempre chegamos a ter dez, 11, até 12 pessoas lá. Então, dependendo do caso do paciente, se ele precisar de respirador e não tiver instalação ou equipamento móvel suficiente, a gente começa a ventilação manual com o ambu”, explica: Cada um dos 78 leitos de UTI do hospital conta com instalação de rede de oxigênio e, segundo o diretor-clínico, há equipamentos para cobrir esse número. “O que muitas vezes ocorre é que não há instalação do sistema de oxigênio em todo o hospital e, então, mesmo que haja respiradores, não há como serem usados”, analisa. Quanto aos respiradores móveis, Barbosa explica que são em número menor daqueles que necessitam da instalação e por isso o uso dos ambus se torna inevitável. Até o momento, esse problema foi identificado apenas na Santa Casa, que é o maior e mais utilizado hospital do Estado. No Hospital Regional, o diretor-clínico José Roberto de Almeida e Silva explica que todos os leitos de UTI e emergência são equipados com rede de oxigênio e que, até hoje, não foi necessário realizar a ventilação manual em nenhum paciente. “Temos cerca de 60 respiradores, mas nem todos são usados. Quando algum paciente precisa, os levamos para as enfermarias, que também têm instalação de oxigênio. Não podemos aumentar esse número além dos 60, porque a rede não comporta, mas estamos ampliando a rede e R$ 1,7 milhão será gasto somente para isso”, garante. (fonte: jornal O Estado de Mato Grosso do Sul – 13.07.09)

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