Os 56 médicos residentes que trabalham na Santa Casa de Campo Grande paralisaram suas atividades por melhores condições de formação, já que as cirurgias eletivas, suspensas pela direção do hospital há mais de três meses, são fundamentais para a qualificação e o aprendizados desses profissionais. Segundo os residentes, somente nos últimos três meses deixaram de ser realizadas 1,2 mil cirurgias eletivas nas áreas de cirurgia geral, urologia, cirurgia plástica, ginecologia e neurologia. Por resolução tomada em assembléia no último dia 5, os profissionais iniciaram nesta segunda-feira (09/06) paralisação integral e por tempo indeterminado. Eles realizaram uma mobilização em frente ao ambulatório do hospital, na avenida Mato Grosso, e entregaram à população panfletos e um comunicado relatadando a real situação por que passa o maior hospital do Estado. “É uma luta legítima que não visa reajuste salarial, visa garantir condições mínimas de bem atender a sociedade. Os residentes querem trabalhar”, afirmou o presidente do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul (CRM-MS), Sérgio Renato de Almeida Couto. Segundo ele, a entidade é parceira dos residentes na mobilização e solidária às dificuldades enfrentadas pelos profissionais que trabalham no hospital. Conforme a assessoria de imprensa da Santa Casa, 90% dos procedimentos de alta complexidade em Mato Grosso do Sul são realizados no hospital. No mês de abril, foram realizadas 771 cirurgias de urgência, sendo 615 ortopédicas, além de 510 cirurgias eletivas. O médico residente Flávio Senefonte informa que somente as cirurgias vasculares, oftalmológicas e oncológicas estão sendo realizadas, porque há salas próprias, separadas do centro cirúrgico, para tais procedimentos. Além dessas, as cirurgias feitas por convênios ou particulares não foram interrompidas. Ele afirma que todas as cirurgias feitas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) estão paradas. Nesses casos, a fila de espera para os procedimentos cirúrgicos pode chegar a dois anos. “A Santa Casa afirma que não houve paralisação, mas quem tentar marcar uma cirurgia, terá como resposta que o agendamento está suspenso”, disse Senefonte. Ele explica que os residentes continuam tentando negociar com a direção do hospital a retomada das cirurgias eletivas, mas diante da negativa até o momento, decidiram interrromper as atividades para que a Santa Casa retome os procedimentos. Círculo vicioso A residente Patrícia Gonçalves Pereira afirma que a suspensão das cirurgias eletivas afeta outras áreas de atendimento. Um dos ambulatórios de neurocirurgia e o ambulatório de urologia, por exemplo, estão parados há duas semanas por causa disso. Outros serviços são prejudicados e a formação dos residentes fica comprometida, o que também prejudicará o atendimento a ser prestado posteriormente por esse profissional, numa uma reação em cadeia. “Não posso dar alta a um paciente que está no CTI porque não foi realizado o procedimento cirúrgico necessário e, se chega um paciente grave, que necessita do CTI, não encontra vaga justamente por isso”, explicou Patrícia. Passeata A mobilização dos médicos residentes continua nesta terça-feira (10), a partir das 11h, em frente ao ambulatório da Santa Casa. Eles sairão em passeata pelas ruas do centro da cidade. Logo depois, se reunirão com a direção do hospital para tentar mais uma vez resolver a questão. (fonte: CRM-MS – 09.06.2008)

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