Renato Lima Narquilé ou Arguile, o nome pode soar estranho, mas quem ainda não deu um trago já deve ter visto a jarra de vidro, com uma mangueira e uma pipeta na ponta, espalhadas por diversos pontos de Campo Grande. Para a pedagoga e coordenadora do INCA (Instituto Nacional do Câncer), Andréia Ramalho Reis Cardoso, o que pode parecer uma “brincadeira” é na verdade sério risco à saúde. “Esse novo cachimbo da paz (narguilé), causa dependência tanto quanto o cigarro, porém com efeitos piores”. Aos poucos o narguilé vai tomando espaço das calçadas até então monopolizadas pelas rodas de tereré. Dois costumes que geram dependência, o tereré, pela cafeína – presente na erva, e o narquilé, com o fumo. No estacionamento do Shopping Campo Grande, por exemplo, sextas-feiras são dias do narguilé ao ar livre, disputado pelos adolescentes. A forma de fumar é a mesma no mundo todo: coloca-se o tabaco no alto do narguilé, cobre-se com papel alumínio, põe-se um carvão em brasa sobre o papel, aspira-se pela mangueira. A fumaça passa pelo tubo e, no jarro de água é purificada e resfriada. A coordenadora do INCA explica que no cigarro existem muitas substâncias químicas sintéticas, além do tabaco, e que o fumo usado no narguilé recebe grandes quantidades de agrotóxicos, que são ingeridos pelo usuário. A OMS (Organização Mundial de Saúde) alerta que a fumaça do narguilé contém inúmeras toxinas que podem causar câncer de pulmão e doenças cardíacas, entre outras. E que, em uma sessão de narguilé – que pode durar de vinte minutos e até uma hora, a quantidade de fumaça inalada corresponde a mesma de quem fuma 100 cigarros comuns. Sem vício – Para o estudante Sidnei dos Passos, de 18 anos, que já fumou cigarro e atualmente fuma e vende narguiles, uma grande diferença é que o fumo não vicia, diz, contrariando todos os estudos sobre o assunto. “Quando eu fumava cigarro não conseguia ficar dois dias sem fumar, ficava nervoso e ansioso. Já o narguilé é mais para passar o tempo, fico sem quando viajo e não sinto necessidade nenhuma”, defende. Cultura – O instrumento originário da cultura árabe desde o século XVII, veio para o Brasil trazido pelos imigrantes, mas se popularizou com a novela O Clone (2002). Em Mato Grosso do Sul as comunidades mulçumanas mantiveram a cultura. Hoje, mais ocidentalizado, o narquilé pode ser comprado na fronteira com Paraguai, os preços variam entre R$ 35 a R$ 300 reais, dependendo do modelo e quantidade de mangueiras. Chamaris – Assim como as ervas aromáticas usadas no tereré, já existem no mercado fumos especiais para narguilés usualmente feito com melaço e frutas ou aromatizantes. Os aromas são bastante variados; encontra-se de frutas, flores, mel, e até mesmo Coca-Cola e Red-Bull. Mas o aroma atrativo não engana, no verso da caixa, uma foto agressiva e uma frase do Ministério da Saúde que adverte quando ao males provocados pelo consumo do fumo. (fonte: jornal online Campo Grande News – 13.09.08)

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