Hospitais de grande porte do Brasil como o Albert Einstein e Sírio-Libanês, ambos no Estado de São Paulo, trabalham com a medicina integrativa, metodologia de tratamento que visa integrar tratamentos convencionais e terapias complementares cuja segurança e eficácia tenham sido cientificamente provadas.

Em algumas unidades que já aplicam a abordagem são disponibilizadas ou recomendadas sessões de acupuntura, uso da fitoterapia e homeopatia, hipnose, entre outras. O princípio fundamental da medicina integrativa é tratamento do indivíduo como um todo. Isso significa estudo apurado de causas e prevenção. Esta metodologia de trabalho não é nova, surgiu na década de 1970 dentro de universidades norte-americanas. Por esta filosofia de trabalho, o principal agente da cura é o paciente.

A palavra alternativa do nome do Hospital de Medicina Alternativa (HMA) em Goiânia deve ser alterada para integrativa. A unidade também é um exemplo dessa mudança nos tratamentos. No local existem várias terapias consideradas parte da medicina integrativa. “Trabalhamos a pessoa, o corpo, a mente de forma integrativa. É uma área com respaldo, com evidências”, garante o diretor do HMA, Danilo Carneiro.

Muitas das técnicas aplicadas surgiram com a medicina tradicional chinesa, algumas delas nasceram há mais de cinco mil anos. É o caso da acupuntura, terapia que consiste na colocação de agulhas muito finas no corpo. Elas ficam nos chamados pontos de acupuntura, regiões do corpo que respondem pelos sintomas ou problemas de saúde.

Outra terapia que já é relativamente popular é a fitoterapia. Ela consiste no uso de plantas medicinais ou bioativas no tratamento de diversas doenças. Entre as vantagens está a recepção do medicamento pelo organismo, com menos efeitos colaterais que muitos sintéticos. No entanto, isto não significa que os fitoterápicos não representam risco, muitas plantas que são boas para determinados problemas, podem não ser boas para outros aspectos do organismo.

A homeopatia também vem se destacando neste cenário. O princípio dela é similia similibus curantur (semelhante pelo semelhante se cura), ou seja, o tratamento se dá a partir da diluição e dinamização da mesma substância que produz o sintoma num indivíduo saudável, só que em doses bastante fracas. Essas ingestões provocam o restabelecimento da energia vital. Apesar disso, ela ainda é associada ao charlatanismo, ou seja, pessoas que vendem produtos sem a menor possibilidade de cura como remédios. Outra questão que divide opiniões é sua relação com os placebos, medicamentos falsos utilizados em testes de substâncias verdadeiras, mas que provocam efeitos positivos devido ao caráter psicológico do indivíduo.

Reconhecimento

Além das terapias mencionadas acima existem muitas outras como hipnose, ioga, medicina tradicional chinesa e tai chi chuan. No entanto, nem todas são reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). O órgão inclusive tem resolução específica (1.982/2012) que trata da avaliação dos procedimentos para reconhecê-los ou não. “Para ser reconhecida, a terapia tem que ter resultados positivos em trabalhos científicos publicados por veículos idôneos e de credibilidade”, complementa o presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego), Erso Guimarães.

Outras

A acupuntura japonesa é uma terapia semelhante à acupuntura chinesa, a mais popular no Brasil. No entanto, a técnica de tratamento com agulhas tem suas diferenças. A acupuntura japonesa utiliza agulhas mais finas, o que faz com que os procedimentos não sejam dolorosos. Outra diferença é a precisão e eficiência do método.

De acordo com o especialista em Terapias Orientais do Japão, China e Índia, Valério Lima, a diferença está relacionada à história. Conforme ele, quando esta técnica chegou ao Japão, o público mais refinado era mais resistente à questão da dor e queria resultados mais rápidos, por este motivo, o procedimento foi aperfeiçoado.

Esta terapia é indicada para dor de cabeça crônica, síndrome do pânico e depressão, além de vários outros problemas de saúde. “Eu já tratei gente que sofreu 20 anos com dor de cabeça crônica e tivemos resultados excelentes com a acupuntura japonesa”, conta Lima.

O especialista que também ministra cursos em várias áreas da medicina tradicional chinesa comenta que outra terapia que tem tido acentuada procura é a reflexologia podal. A técnica consiste no tratamento por meio de estímulos nos pés. De acordo com ele, cada região do pé tem relação com um órgão, glândula ou estrutura do corpo. Os estímulos servem para tratar os problemas que afetam essas partes correspondentes do corpo.

Lima esclarece que em alguns casos, ela é complementar ao tratamento da medicina convencional, ou seja, se a pessoa tiver uma gastrite, por exemplo, os remédios e a atenção do médico não são dispensadas, mas podem ter o reforço da reflexologia. O especialista lembra que o diagnóstico envolve vários aspectos da vida da pessoa como alimentação, hábitos de vida, profissão. “A visão é holística, ela sempre vai buscar uma forma sistêmica de ajudar a pessoa”, resume.

Fonte: Diário da manhã – http://www.dm.com.br/

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