Dona de casa afirma que está há mais de 4 meses tentando marcar exames para seu filho de 2 anos e sua mãe

A aprovação do Projeto de Lei (PL) que estabelece tempo máximo de espera para realização de procedimentos nas unidades da rede pública de saúde de Maceió não animou todos os usuários.

O PL, de autoria da vereadora Heloisa Helena (Psol), foi aprovado na quinta-feira (9) por unanimidade da Câmara de Vereadores.
A dona de casa Jadenilda Oliveira Silva, de 24 anos, está há 4 meses tentando marcar uns exames para o seu filho de 2 anos de idade. Ela afirma que os funcionários dos postos de saúde não sabem explicar a quem ela deve procurar para conseguir realizar os procedimentos.

“Estou tentando marcar um raio-x para o meu filho há mais de quatro meses. Não consegui nem marcar, imagine fazer os exames. Eles ficam esperando a criança piorar para poder atender? Ele tem problema na garganta”, lamenta a moradora do bairro do Jacintinho.

Jadeilda falou com a equipe do jornal Tribuna Independente no Posto de Saúde João Paulo II.

“Me disseram que aqui que marca, mas eu nunca consigo. Já fui até na Secretaria de Saúde e nada. Lá no PAM Salgadinho dizem que a máquina de raio-x está quebrada. Eu não acredito que essa lei vá funcionar na saúde pública de Maceió”.

Para aumentar a angústia da dona de casa, sua mãe foi diagnosticada com câncer no estômago, e novamente ela tenta marcar os exames e não consegue.
“Eu vim aqui no final de março e disseram que só iriam começar a marcar depois da Semana Santa. Passou o feriado e agora tem um aviso colado na parede dizendo que os exames só serão marcados a partir de maio. Minha mãe morre e não consegue atendimento. Isso aqui é um absurdo”, reclama.
“Nem os medicamentos eu consigo”, concluiu.

Outra paciente que também aguardava atendimento na emergência do João Paulo II disse que está satisfeita com o atendimento que recebe na rede pública de saúde do município.

“Eu sempre sou bem atendida aqui na emergência e não demoro mais de um mês para conseguir marcar um exame. Já passei por um procedimento cirúrgico na cabeça e tive que esperar por um ano, mas deu tudo certo. Fui atendida na Santa Casa”, conta a dona de casa Maria Andréia, de 47 anos.

Caso a nova lei seja aprovada pelo prefeito Rui Palmeira (PSDB), fica determinado que o tempo máximo de espera para exames laboratoriais e serviços de diagnóstico passará a ser de 15 dias. Para serviços de tratamento e reabilitação o período será de 20 dias, mesmo prazo estipulado para consultas. Já no caso de cirurgias eletivas, ou seja, as que podem ser marcadas, o tempo será de 50 dias.

‘Os médicos não estão preocupados com os seus pacientes’

Um clínico geral que atua na saúde pública de Maceió entrou em contato com a equipe do jornal Tribuna Independente para dar a sua opinião em relação ao PL que estabelece tempo máximo de espera para realização de procedimentos nas unidades da rede pública de saúde do município.

O médico, que preferiu não se identificar, afirma que boa parte dos seus colegas de profissão não se preocupam com seus pacientes.

“A maioria dos médicos do município está de greve. Hoje é sexta-feira e estou atendendo sozinho em uma emergência. Atendi mais de sessenta pessoas. Elas precisam de mim. Mas a maioria dos meus colegas não se importa. Não são pontuais e nem trabalham todos os dias”, critica.

O clínico diz que a maioria dos funcionários de postos de saúde de Maceió não trabalham com boa vontade e que a nova lei não deve vingar caso a administração pública não fiscalize.

“O prefeito deveria frequentar os postos de saúde para fiscalizar seus funcionários. Se não há uma administração pública presente, os servidores não se preocupam em trabalhar. Os dentistas mesmo não trabalham há quase dois anos e mesmo assim continuam recebendo salários. Pode ir nos postos de saúde e você vai ver que na maioria não tem dentista. É uma reforma inacabável”, acusa o médico.

“Os postos de saúde só funcionam de manhã, mesmo os que deveriam atender à população por 24 horas. É uma bagunça. Precisa de administração. Eu venho trabalhar porque sei que as pessoas mais carentes precisam de atendimento, mas eu não recebo da prefeitura há mais de dois meses. É complicado. Eu é quem estou começando a precisar me tratar”.

O médico explicou que pediu para não ser identificado por temer perder seu emprego e a população a quem atende ficar ainda mais desamparada.
“Mas a realidade é essa. Os meus colegas só vêm trabalhar quando querem. Não estou generalizando, mas é só ir em qualquer posto de saúde no período da tarde que você vai constatar que não existe atendimento médico”.

Em relação ao Projeto de Lei, a Prefeitura de Maceió emitiu uma nota por meio de sua assessoria de imprensa informando que “está trabalhando para aperfeiçoar os serviços em todas as áreas da administração. O Município tem investido na melhoria do atendimento à saúde e analisará, dentro do prazo legal, as condições de viabilidade da proposta”.

Fonte: http://www.tribunahoje.com/

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