Paulo Xavier “A mudança no horário do Estado não traz nenhum benefício para a população, ao contrário disso, só dá prejuízos, principalmente para a saúde”. É dessa maneira enfática que o médico oncologista Adalberto Siufi expõe sua opinião, durante o lançamento do Comitê Estadual pela Manutenção do Horário do Estado, hoje (19) à tarde, na Fetems (Federação dos Trabalhores em Educação). O médico se soma a outros profissionais de saúde que assinam um panfleto enumerando 18 desvantagens para a saúde com a eventual mudança do horário. Tramita no Congresso Nacional um projeto assinado em conjunto pelos senadores Delcídio do Amaral (PT) e Júlio Campos (DEM) igualando os horários de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul com o de São Paulo. Os defensores da idéia enumeram benefícios econômicos e asseguram que não haveria danos à saúde; quem é contra rebate e se organiza. Membros de conselhos de profissionais de Medicina e movimentos sociais estiveram presentes no lançamento do comitê, cujo objetivo é abrir a discussão sobre o assunto, arrecadar assinaturas de quem apóia o movimento e mostrar os prejuízos que a mudança do horário pode trazer para a população. Para o presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia do Estado do Mato Grosso do Sul, o médico Luiz Ovando, a mudança do horário traz diversos problemas, pois o organismo das pessoas sofrerá alterações que prejudicarão o desenvolvimento delas no dia-dia. “Com a mudança do horário, as pessoas serão privadas de sono, isso vai interferir na capacidade do rendimento delas”, declara o médico. Dentre os principais problemas em relação à saúde destaca-se: menos tempo para dormir, sonolência, maior risco de assaltos, irritabilidade, estresse, piora da criatividade, redução da inteligência (cada hora a menos de sono reduz 01 ponto no QI), intestino preso, piora do aprendizado das crianças e jovens, redução da fertilidade, maior chance de câncer de pele, comprometimento do peso das crianças, aumento da pressão arterial, do colesterol, do triglicérides, da glicose, da obesidade. Dos problemas citados acima, as pessoas que mais sofreram seus impactos são os jovens e crianças que terão de acordar uma hora mais cedo para irem estudar, o que prejudica o rendimento escolar deles. Esse problema já é percebido quando o Estado adota o horário de verão no fim do ano. Segundo Maria Lúcia de Oliveira, representante dos Diretores das Escolas da Rede Municipal, a mudança no fuso horário vai fazer com que a capacidade de aprendizado das crianças seja afetada. “A gente percebe no horário de verão, as crianças vêm para a escola com sono, se mudar o horário isso pode sempre acontecer, além disso, as crianças vão vir para a escola ainda no escuro”, preocupa-se a diretora. Economia Um dos principais argumentos de quem é a favor da mudança do horário é a de que ela ajudaria na economia de Mato Grosso do Sul, pois haveria maior integração com outros estados importantes como São Paulo. Para o deputado Paulo Duarte (PT), que integra o comitê, esse é um argumento que não tem fundamento. Para defender sua tese, ele cita a região Nordeste que tem o mesmo horário de São Paulo, mas que possui os piores IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do país. Além disso, o deputado também critica a força que o movimento da mudança no horário do Estado ganhou após as mudanças na programação da televisão. “É um absurdo mudar o horário e pôr em risco a saúde da população por causa da programação da tv. Seria mais fácil mudar a portaria que fez com que se alterasse a grade da televisão”,afirma Paulo Duarte. (fonte: jornal Midiamax News – 19.08.08)

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