Fórum reuniu médicos, professores e pesquisadores para discutir evidências científicas, formação profissional e os limites éticos da abordagem da espiritualidade no atendimento
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Mato Grosso do Sul (CRM-MS) realizou, no dia 1º de agosto de 2026, o Fórum de Saúde e Espiritualidade, no auditório do Sebrae/MS, em Campo Grande. O encontro reuniu médicos, professores, pesquisadores, profissionais da saúde e convidados para discutir a relação entre ciência, ética, espiritualidade e humanização do cuidado.
A programação apresentou conceitos, pesquisas e experiências relacionadas à presença da espiritualidade na assistência à saúde. As discussões destacaram que o tema deve ser abordado com responsabilidade, respeito à autonomia dos pacientes e sem imposição de crenças ou práticas religiosas.
A abertura oficial foi conduzida pela presidente do CRM-MS, Dra. Luciene Lovatti Almeida Hemerly Elias. Ela agradeceu aos palestrantes, aos participantes e ao Sebrae/MS pelo acolhimento do evento e destacou que as discussões sobre saúde e espiritualidade vêm conquistando espaço no ambiente acadêmico e na formação médica.
“Este é o primeiro espaço que estamos abrindo aqui no Mato Grosso do Sul”, afirmou. A presidente também manifestou a expectativa de que o CRM-MS possa promover novos encontros e ampliar o debate sobre o tema no estado.
A realização do Fórum surgiu de uma proposta apresentada ao Conselho pelo Dr. Paulo de Tarso Müller, que recebeu um agradecimento especial do CRM-MS pela iniciativa. O encontro foi organizado para abordar a espiritualidade sob perspectivas científicas, acadêmicas, éticas e assistenciais.
A primeira palestra, “Saúde e Espiritualidade”, foi apresentada pelo Dr. Décio Iandoli Jr., especialista em Cirurgia Geral, Cirurgia do Aparelho Digestivo e Endoscopia, com doutorado em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp. Ele abordou as diferenças entre espiritualidade, religião e religiosidade, além da relação da espiritualidade com a busca por significado, propósito e sentido para a vida.
Na sequência, o Dr. Paulo de Tarso Müller apresentou a palestra “A Ciência da Relação Saúde & Espiritualidade: o que sabemos hoje?”. Médico pneumologista e professor titular aposentado de Medicina da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, ele discutiu pesquisas desenvolvidas na área e ressaltou a importância da avaliação crítica das evidências, considerando a metodologia e as limitações de cada estudo.
A aplicação do tema no atendimento foi abordada pela Dra. Adriane Bovo, médica ginecologista do Hospital de Amor, na unidade de Campo Grande, mestre e doutora pela Unifesp. Na palestra “A Prática Clínica da Saúde e Espiritualidade”, ela tratou da incorporação dessa dimensão ao cuidado de maneira ética, técnica e centrada nas necessidades do paciente.
A apresentação destacou a importância da escuta, do vínculo e da escolha do momento adequado para abordar o assunto. Também ressaltou que o médico não deve tentar convencer o paciente a adotar determinada crença, prescrever práticas religiosas ou utilizar a consulta para fazer proselitismo.
O Prof. Dr. Marco Aurélio Vinhosa Bastos Junior, médico endocrinologista e professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, apresentou a palestra “Linhas de Pesquisa Atuais”. Ele abordou os estudos realizados no campo da saúde e da espiritualidade, as possibilidades de novas pesquisas e a inclusão progressiva do tema na formação médica.
As considerações finais foram conduzidas por Regina Célia Antunes Cabral, especialista em Odontopediatria pela Associação Brasileira de Odontologia, psicóloga com ênfase em Psicanálise pela Universidade Católica Dom Bosco e tutora do Sistema Único de Saúde pelo Hospital Sírio-Libanês. No encerramento, ela retomou conceitos apresentados durante o encontro e destacou a importância do autoconhecimento e do cuidado com o próprio profissional.
Ao longo das apresentações, a espiritualidade foi tratada como uma dimensão que pode contribuir para a compreensão das experiências, dos valores e das fontes de apoio dos pacientes, sem substituir o diagnóstico, o tratamento ou as demais condutas médicas.
Com a realização do Fórum, o CRM-MS ampliou o espaço de discussão sobre uma medicina fundamentada no conhecimento científico, na ética e no respeito à integralidade do paciente, fortalecendo seu compromisso com a formação continuada e com uma prática profissional responsável e humanizada.