Estudos mostram que o simples fato de colocar o bebê em posição correta para dormir pode reduzir em até 70% o risco de morte súbita. De barriga pra cima. Essa é a maneira correta de deitar a criança até completar um ano de vida para reduzir os riscos de morte súbita, segundo pesquisadores do Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e campanhas recentes divulgadas nos Estados Unidos e na Inglaterra. A afirmação é do Dr. Cesar Victora, doutor em Epidemiologia pela London School of Hygiene and Tropical Medicine e pesquisador da UFPel e coordenador do Comitê de Mortalidade infantil da cidade de Pelotas desde o ano de 2006. Nesse ano foram constatados 10 casos de prováveis Mortes Súbitas na Infância (MSI), do total de 66 óbitos registrados entre os 4.248 nascidos vivos na cidade de Pelotas (RS). Segundo Victora, há formas de reduzir o risco de morte súbita em bebês e uma delas é deixá-los dormindo de barriga para cima. No entanto, isso ainda é pouco usado pelas mães brasileiras. Dados do acompanhamento dos bebês nascidos em 2004, em Pelotas, revelam que somente 21% das crianças aos 3 meses de idade dormem de barriga para cima. Segundo Victora, a informação de que ao dormir de barriga para cima o bebê vai aspirar o vômito e se afogar não passa de uma crença popular incorreta. Ao deitar de lado ou com a barriga para baixo o bebê respira um ar viciado, ou seja, o ar que ele próprio expira. “Uma criança maior ou um adulto acordariam ou trocariam de posição para evitar o sufocamento, mas em alguns bebês a parte do cérebro que controla este reflexo não está desenvolvida. Por isso, ele acaba morrendo por asfixia”, afirma o Dr. Cesar Victora. Os riscos de dormir de barriga para baixo são semelhantes a dormir de lado. Essa posição é instável e muitos bebês rolam e ficam de barriga para baixo. Se uma criança está deitada de barriga para cima e se afoga, sua tendência, por instinto, é tossir e com isso chamar a atenção dos pais. No caso da morte súbita, essa reação não acontece e a morte se dá de forma “silenciosa”. O Dr. Cesar Victora é enfático em responder a quem usa o argumento de que a criança, dormindo de barriga para cima, pode vomitar e se afogar com o vômito: “é melhor engasgar do que morrer”. A Pastoral da Criança, com base nos estudos brasileiros e na publicação Sudden infant death syndrome, de Rachel Y Moon, Rosemary S C Horne, Fern R Hauck (Lancet 2007; 370: 1578–87), orienta as mais de 1,4 milhão de famílias acompanhadas que os bebês devem dormir de barriga para cima. Segundo a publicação citada, a morte súbita é a maior causa de mortes entre bebês de 1 a 12 meses nos países desenvolvidos. Embora a causa da MSI seja desconhecida, identificaram-se outros fatores que aumentam o risco de morte súbita ((http://www.cdc.gov/SIDS/riskfactors.htm): são a exposição ao fumo durante a gravidez e após o nascimento a exposição ao fumo no ambiente, o uso de colchões ou travesseiros muito moles, o superaquecimento do bebê, o leito compartilhado com outra/outras pessoas, o nascimento prematuro ou bebês com baixo peso ao nascer. Segundo Victora, as evidências científicas são irrefutáveis e as academias de pediatria dos EUA e Inglaterra, por exemplo, já recomendam fortemente deitar o bebê de barriga para cima: “os países que promovem deitar o bebê de barriga para cima reduziram as mortes súbitas em 50%”. Por definição, o diagnóstico de morte súbita é dado por exclusão: quando não se acham outras causas que podem explicar a morte da criança. Pesquisa feita em Pelotas sobre a morte súbita na infância (MSI) Na década de 1980, Victora e colaboradores investigaram os óbitos infantis de crianças residentes em 10 cidades gaúchas, incluindo a região metropolitana de Porto Alegre por meio de estudo de casos e controles (Rev Saude Publica 1987; 21(6):490-6). Foram identificadas 72 mortes súbitas na infância (MSI), o que representava um coeficiente de mortalidade por Morte súbita na Infância de 1,0 por mil. O risco para meninos foi cerca de 1,4 vezes maior do que para meninas. As mortes por MSI foram mais freqüentes no primeiro e no terceiro mês de vida. Houve uma nítida concentração dos óbitos nos meses de inverno com a mais alta incidência em julho. O risco foi maior para crianças de baixo peso ao nascer, para aquelas que residiam com outras crianças menores de 5 anos, para crianças que não recebiam aleitamento materno exclusivo e para os filhos de mães com baixa escolaridade, fumantes e jovens. Na cidade de Pelotas no ano 2006 ocorreram 10 óbitos por MSI, constituindo uma taxa de morte por MSI de 2 por mil nascidos vivos. Uma pesquisa realizada com todos os bebês nascidos em Pelotas no ano de 2004, revelou que somente 20,8% (829 crianças) dormiam de barriga para cima como é o aconselhado internacionalmente. Das restantes crianças, 4,7% dormiam de barriga para baixo e 74,5% dormiam de lado. Essa pesquisa acompanhou 3.985 crianças, por 3 meses. Campanhas para a prevenção de morte súbita na infância No ano de 1983 nos EUA a taxa de morte súbita era de 1,5 por mil nascidos vivos. Dez anos depois, a taxa de morte súbita se mantinha estável. No ano 1992 a Academia Americana de Pediatria, em conjunto com a campanha educacional conhecida como “Back to Sleep”, recomendaram colocar as crianças para dormir com a barriga para cima, com o intuito de diminuir o risco de MSI. Esta iniciativa contribuiu para reduzir a incidência de MSI. Esta estratégica conseguira reduzir a incidência de MSI em 40%, de 1,2 óbitos por MSI por mil nascidos vivos em 1992 para 0,67 óbitos por mil no ano 1999 como se observa na Figura 1. As recomendações mantiveram-se e para o ano 2004 e a taxa de morte por MSI caiu para aproximadamente 0,62 por mil nascidos vivos. Mais informações: Assessoria de Imprensa da Pastoral da Criança 2105-0239/2105-0244/2105-0225 comunic@pastoraldarianca.org.br Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) Dra Alicia Matijasevich zanrebla@gmail.com Dra Elaine Zanrebla zanrebla@terra.com.br

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