Os caminhos para a infraestrutura, os recursos humanos e o suporte financeiro que garantirá às faculdades de medicina ofereçam estágios adequados aos alunos foi o tema de encerramento do VI Fórum Nacional de Ensino Médico, evento promovido nos dias 27 e 28 de agosto, em Brasília.

A mesa redonda debateu sobre os Contratos Organizativos da Ação Pública Ensino-Saúde (COAPES) que representam o compromisso das instituições de ensino e dos gestores municipais e estaduais em garantir que os estudantes tenham, na rede de serviços do Sistema único de Saúde (SUS), o campo de aprendizagem fundamental para sua formação.

Uma dificuldade apontada pelos palestrantes é a troca constante de secretários estaduais e municipais de saúde, o que dá uma descontinuidade nos contratos de estágios. “O ambiente já não é o ideal e a rotatividade de secretários agrava o problema”, destacou o presidente da mesa, professor Nelson Grisard.

Valorização – O diretor-regional do Centro-Oeste da Associação Brasileira de Educação Médica (Abem), Antônio Amorin, destacou a discrepância de salário entre o médico e o professor. “Estamos frente a vários paradoxos, médicos de carreira acadêmica exclusiva trabalham 40 horas e recebem menos do que os contratados da prefeitura para 20 horas?”, questionou.

Amorin defendeu que o Governo garanta recursos para que os municípios possam dar benefícios aos preceptores, assim como fez com supervisores dos Mais Médicos. “É uma decisão politica. O médico não pode fazer duas coisas ao mesmo tempo: atender e ensinar. O aluno exige conhecimento, atualização, atenção. Para isso o profissional deve ter benefícios que o incentive”.

Emmanuel Fortes falou sobre os parâmetros das fiscalizações

Emmanuel Fortes falou sobre os parâmetros das fiscalizações

O 2º vice-presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), Lincoln Lopes Pereira, ainda defendeu o financiamento adequado para o setor: “o cenário já é caótico. Se não tiver financiamento adequado também não haverá a formação adequada de um novo profissional que trabalhará com vidas”.

Ainda participaram da mesa redonda sobre os Contratos Organizativos da Ação Pública Ensino-Saúde a representante do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS) e a Maria Cristina de Lima, a diretora-secretária da Abem, Márcia Sakai.

Formação – Antecedendo a mesa redonda, o 3 º vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Emmanuel Fortes, defendeu a formação adequada para os estudante segundo as orientações do Código de Ética Médica e da Resolução CFM nº 2.056/2013, que define os parâmetros das fiscalizações.

Para Fortes, as faculdades precisam incluir no currículo escolar as diretrizes dos Conselhos. “O estudante precisa saber o básico da medicina para cumpri o que exige a prática da sua profissão. A escola precisa ensinar o mínimo indispensável para o ato seguro”.

Segundo ele, se o órgão formador não pode deixar de abordar os aspectos das normas da rede conselhal “com certeza teremos problema com esse profissional depois. A universidade deve formar, qualificar e também capacitar”. 

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