Em reunião realizada na terça-feira, 25 de agosto, na Câmara dos Deputados, em Brasília, entre parlamentares, representantes de ONGs e o Ministério da Saúde apontou os principais problemas que existem no País em função do isolamento de algumas comunidades e a dificuldade de fixação dos profissionais de saúde nestes locais. Dois vídeos veiculados na sessão, produzidos pelas ONGs, apresentaram índices e demonstrativos sobre a realidade social dos povos ribeirinhos e o trabalho que estas instituições realizam periodicamente – número de atendimentos, cirurgias, programas de educação infantil, entre outros. “Nosso objetivo é dar cidadania por meio do acesso à saúde. O grupo é composto por profissionais voluntários que se dedicam para melhorar a qualidade de vida destas pessoas que muitas vezes tem de se deslocar dias para conseguir uma simples consulta”, comentou o presidente da ONG Expedicionários da Saúde, Ricardo Affonso Ferreira. Para o coordenador do Núcleo de Saúde Comunitária do Projeto Saúde e Alegria, Fábio Lambertini Tozzi, o SUS é uma garantia importante da sociedade, mas que precisa atingir a todos. “A Amazônia é um desafio que precisa ser vencido. Nas regiões onde visitamos há pequena cobertura da saúde suplementar. A renda das famílias é baixíssima e em alguns locais a média do número de médicos é de 1 para 4466 habitantes. É um dado alarmante”. Outro ponto apresentado por Tozzi foi o trabalho permanente com educação infantil. “Temos grande preocupação também em levar até as escolas e os vilarejos noções básicas de higiene, nutrição e cuidados com a saúde”. A deputada federal Elcione Barbalho (PMDB-PA) complementou a fala afirmando que em recente pesquisa constatou-se no mesmo Estado uma situação pior ainda. “Dos 143 municípios do Pará, apenas 43 tem médicos. O governo esta brincando com a região”, disse Elcione. O deputado federal Germano Bonow (DEM-RS) também falou sobre sua experiência na região norte do país, quando lá foi trabalhar como médico recém- formado. “Quando cheguei no Amazonas, tínhamos problemas diversos e eu questionava a razão de estar ali. Foi um grande aprendizado, mas não consegui permanecer devido a todos os problemas que enfrentava na época”. Segundo o presidente da Associação Médica Brasileira, José Luiz Gomes do Amaral, há muitas informações equivocadas na imprensa. “Infelizmente, há um entendimento no Brasil que faltam médicos para atender as pessoas. Isso não é verdade. O que existe é uma desigualdade permanente no número de profissionais por habitante em cada região. Além disso, podemos acrescer mais um fato triste que é a falta da oferta de especialistas em muitos locais”, disse Amaral. Perspectivas A Diretora de Gestão e da Regulação do Trabalho do Ministério da Saúde, Maria Helena Machado, comentou sobre uma iniciativa do Executivo para melhorar o atual quadro de permanência dos profissionais da área. “Estamos trabalhando para a implementação de uma carreira nacional para o SUS, que deverá ser ainda discutida com as entidades, associações e o parlamento. Realizaremos em Recife um seminário internacional entre os dias 1 e 3 de novembro para discutir justamente esta questão da experiência de fixação de trabalhadores das áreas de saúde juntamente aos representantes de outros países. Queremos saber como eles conseguiram obter êxito neste processo. Lá podemos ampliar este debate da nova carreira”, disse ela. Entretanto, para o deputado federal Eleuses Paiva (DEM-SP), a questão está na falta de aplicabilidade de políticas de Estado concisas do Ministério da Saúde e na fragilidade da relação de trabalho. “Os profissionais que trabalham para o SUS recebem baixos salários e não tem um vinculo forte , duradouro com a entidade. Se esta é a situação atual, o que seria daqueles que poderiam ingressar nesta nova carreira. É uma grande instabilidade. A tentativa também do governo em trazer profissionais de outros países, como Cuba, nos mostra um cenário ruim. Parece-me que as iniciativas deste governo caminham para trás”, disse Paiva. De acordo com o coordenador do Núcleo de Saúde Comunitária do Projeto Saúde e Alegria, a criação de um barco-escola para estudos e ensino médico nestas comunidades distantes possibilitaria não só mais acesso a atendimentos de saúde como maior aproximação entre os profissionais e as populações assistidas. Saiba mais A Associação Expedicionários da Saúde é uma organização que reúne médicos voluntários em expedições que levam medicina especializada, principalmente atendimento cirúrgico, à populações indígenas da Amazônia brasileira. Qualificada como OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), Expedicionários da Saúde implantou em 2004 o Programa Operando na Amazônia e foi reconhecida pela Fundação Banco do Brasil, Petrobrás e UNESCO como tecnologia social eficiente, uma das três melhores da região sudeste em 2007.Os Expedicionários já realizaram 8353 atendimentos e 1802 cirurgias: 8 expedições aconteceram em três distritos de São Gabriel da Cachoeira – AM, na fronteira com a Colômbia. Vivem na região 30 mil índios. Três expedições foram realizadas beneficiando comunidades do Rio Tapajós – PA, e duas expedição na região do Alto Solimões – AM. www.expedicionariosdasaude.org.br O Projeto Saúde & Alegria – PSA – é uma instituição civil sem fins lucrativos fundada em 1985 e tem por objetivo promover e apoiar processos participativos de desenvolvimento comunitário integrado e sustentável, que contribuam de maneira demonstrativa no aprimoramento de políticas públicas, na qualidade de vida e no exercício da cidadania das populações beneficiadas. Atua hoje diretamente em três municípios do Oeste do Pará – Belterra, Aveiro e Santarém, local de sua sede – atendendo aproximadamente 30 mil pessoas, principalmente as populações rurais, apoiando-as na defesa de suas terras, de seus recursos naturais e na viabilidade social, econômica e ambiental de seus territórios. www.saudeealegria.org.br (fonte: AMB – 28.08.09)

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