Rede dos Conselhos de Medicina


Religião, futebol e política
Qui, 25 de Março de 2021 20:14

É consenso que estes 3 fenômenos não se discutem com qualquer pessoa. É necessário ter um ambiente tranquilo, pessoas que se conhecem e talvez verificar qual o período vivido, pois também é conhecido que quando se tem uma ferida aberta, uma queimadura até o olhar carinhoso aumenta a dor.

Recentemente ouvi a notícia, e mais ainda vi as imagens na TV. Imaginei que isto seria impossível há 20, 30, 40 anos atrás. Mas, qual foi a notícia e as imagens ouvidas e vistas? Foram as imagens do Papa em sua visita ao Iraque e andando ao lado da maior autoridade religiosa muçulmana iraquiana, o Aiatolá Ali Al Sistani.

Não deixei de admirar a coragem deste Papa, que num período de extremo perigo no Oriente Médio e ainda a turbulência política do país, confia nos chefes iraquianos, na promessa de segurança apesar de todas as notícias internacionais da insegurança e do perigo.

E isto me fez lembrar de um fato ocorrido há alguns anos, quando das proximidades da eleição para o Senado. No estado entre os candidatos estava um médico, muito querido e respeitado e que era candidato ao senado pelo...PT.

Na mesma ocasião o papa argentino recém-nomeado estava espantando o mundo por seu passado de vida junto com a população, por torcer por um time do povo suas colocações sobre a homossexualidade, sobre o futuro da humanidade e principalmente em quebrar a imagem de fausto dos outros papas anteriores.

No mesmo consultório trabalhava outro cardiologista, médico das antigas, conservador, correto, franco, extremamente atualizado na medicina e na vida pública. Tão conservador que tinha opiniões rígidas e raramente alguém ouvira dizer que ele quebrara algum tipo de protocolo.

Próximo às eleições, o médico candidato foi até o consultório do amigo, entabulou uma conversa de “cerca lourenço”, enquanto que o conservador aguardava pacientemente, fruto de 40 anos de prática médica, até que o candidato perguntou:

... você votaria em mim?...

Recebeu a resposta:
... sim, você é meu amigo, te conheço há muitos anos, eu ainda sou das pessoas que votam nas pessoas e não nos partidos...voce tem o meu voto...

Após isto continuaram a conversar sobre as famílias, sobre o trabalho e o candidato não saia, parecia que tinha ainda alguma coisa a me dizer...tergiversou, tergiversou até que soltou:

... e você não poderia voltar em .... e citou outro membro do partido...

O antigo e conservador médico o interrompeu e trovejou

... amigo, não abuse da amizade!!!! Eu sempre tive duas certezas na vida! A primeira é de nunca votar no PT. Estou votando em você que é meu amigo, mas em ninguém mais...A segunda certeza que eu sempre tive foi de que nunca iria gostar de argentinos...e estou gostando deste papa...

E terminou em tom peremptório:

... votarei em você...mas não abuse da sorte...

E mais não disse, e nunca mais falaram nisto.

Mas ele votou no amigo, não lhe disse, não foi perguntado...mas o amigo sabia que tinha recebido o seu voto.

 


Juberty Antonio de Souza
Psiquiatra

 
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